Bufiman, o Cara Viciado em Batidas

Criado na terra do Krautrock, produtor alemão caça beats mundo afora

Bufiman, o Cara Viciado em Batidas
Franz Schuier

Imagine se, quando você fosse criança, seus pais gastassem horas ouvindo fitas cassete com “música típica” da sua cidade o dia todo, ecoando pela casa inteira. Porém, o radinho de pilha vibraria ao som de Kraftwerk e outras piras de Krautrock. Até parece lombra, ainda mais se “kraut-rock” é o “Rock das ervas” em alemão. Mas, acredite, o seriado da vida do produtor Jan Schulte tem desses episódios. Ele é o cara por trás do projeto Bufiman, confirmado no line up do Dekmantel Showcase, que irá viajar pelo Brasil por São Paulo (12), Rio de Janeiro (06), Belo Horizonte (11), Porto Alegre (05) e Itajaí (13).

Criado em Düsseldorf, Jan Schulte é altamente influenciado pela atmosfera artística inovadora da cidade berço do Krautrock e dona do título de “onde nasceu Kraftwerk”. Ele também pira num Breakbeat, a ponto de fazer parte de rolês de breakdance. Graças ao ambiente criativo libertário do Salon Des Amateurs, onde foi residente por 10 anos, dividindo a cabine com Tolouse Low Trax, Lena Wilikens e Vladimir Ivkovic, ele foi impulsionado para várias frentes de atuação sonora. “Muita coisa rolou desde quando entrei lá pela primeira vez, em 2006, até minha última visita. O local passou de um bar de DJ sets experimentais e apresentações live, decorado com tapetes de xadrez, com noites imprevisíveis, para uma espécie de ponto estabelecido na cena musical de Düsseldorf, com noites de todos os tipos.

“Não é possível manter a alegria experimental de seus primeiros anos nos dias de hoje, mas ainda é um dos espaços de maior mente-aberta e emocionante em que eu já atuei. O que me deixa muito feliz é ver como o local se conecta entre músicos de diferentes épocas. No momento, abriga uma terceira geração de DJs e produtores e eu espero que isso aumente ainda mais”, afirma o músico em entrevista ao Monkeybuzz.

Viciado num Batuque

Se existe algo irresistível na musicalidade de Bufiman, a resposta é ligeira: batidas. Estas podem ser originárias de garrafas de uísque vazias ou do rufar das mãos de percussionistas egípcios. No seu histórico estão compilados como Tropical Drums of Deutschland. Rolês pela Ásia e África interagindo com mestres locais são frequentes nos planos do músico, que participou do The Nile Project. Sobre a experiência no projeto, ele conta: “Reune um grupo de músicos mestres de toda a área do Nilo, do Burundi até o Egito, para o ensaio de uma tour coletiva pela maior parte de seu território e além”.

“Foi uma experiência alucinante para mim. Eu tenho profundo respeito e admiração em relação aos músicos que participaram. Cada um deles um é mestre musical em suas origens, e foram se unindo para aumentar a consciência e a se desafiarem nesta cooperação. Eu me senti um novato ao lado deles! Mas nós conseguimos fazer algumas gravações realmente fortes. As tracks finalmente estão prontas e prestes a serem masterizadas, serão lançadas o mais rápido possível pelo mais novo selo de Hugo Mendez, Nouveau Ambiance”.

Em relação à alguém viciado em batuque, paira uma curiosidade: e a percussão afro-brasileira dos nossos terreiros, será que já bateu na mente do alemão? “Eu não tenho conhecimento suficiente sobre música tradicional ou ritual brasileira. A maior parte do meu "conhecimento" sobre direções específicas musicais vem de descobertas no mercado de pulgas locais, e eu nunca tive a sorte de encontrar algo nesse sentido. Então, estou muito interessado em aprender mais sobre isso!”.

Assumido apreciador de Breakbeats desde a infância, quando ele causava nas rodinhas de breakdance, a veia criativa de Jan Schulte se expande além do Bufiman. Encabeçando outros projetos, musicais como Wolf Muller, Diskoking Burnhart Mc Koolski, Goofyman e até uma parceria com Young Marco, Young Wolf, ele investe nas diversas pesquisas que fazem a sua cabeça. Como ele consegue se dividir em tantas facetas?

“Eu não estou me dividindo ao todo, é mais uma expressão dos meus diferentes gostos e interesses musicais. Como eu estou sempre interessado em sonoridades que surpreendem meus ouvidos, eu tento tocar sons que não me parecem muito familiares, que não lembram de outros que eu já ouvi antes. Esse é um motivo por que gosto tanto de fazer colaborações. Juntar a experiência, habilidade e gosto de outra pessoa facilita combinar coisas e criar algo novo e inesperado. A parceria com o DJ Normal 4 é uma dessas. O nosso segundo EP na Aiwo Records está quase pronto”.

Entre os planos para 2018, ele adianta e faz graça: “Quero terminar uma faixa que fiz com instrumentos e gravações reunidas durante uma viagem em Bornéu [na Ásia], com o DJ SoFa e o Festival Europalia, em 2017. E fazer mais esportes”.

Artista: Bufiman

Marcadores: Eletrônico