Ouça: Flavia Coelho

Do Rio a Paris, cantora vai colecionando influências e transformando seu som no caminho

Ouça: Flavia Coelho
Roch Armando

Flavia Coelho e sua música viajam juntas. Nascida no Rio de Janeiro mas crescendo no Ceará e Maranhão, foi bem mais tarde, após uma visita em 2002, que a artista decidiu pegar sua mala e se mudar para Paris.

O problema foi que dentro da mala estavam devidamente organizadas referências como Bossa Nova, Reggae, Samba, Forró e Raffamuffin - mas essa organização não resistiu à viagem, misturando os estilos em uma sonoridade que já não é novidade para muitos franceses e que merece ser conhecida melhor por aqui também.

Não abrindo mão das letras em português (aqui ou ali você vai encontrar frases em francês ou inglês), o principal tempero brasilero parte da voz de Flavia, algo que lembra Karol Conka somada a Soom T (que foi tema de um Ouça há pouco tempo), com uma "malandragem" única que se torna então sem fronteiras. A multiplicidade de referências (ela diz em uma entrevista que gosta com a mesma intensidade de João Gilberto e de Dr. Dre, por exemplo), deu ao seu primeiro álbum, Bossa Muffin (2011), o acabamento para algo que soa bastante brasileiro sem forçar a barra de de um produto feito para exportação.

Para seu lançamento mais recente, Mundo Meu (2015), foi adicionada à mistura elementos eletrônicos, que criou um clima maior de festa e dão à artista potencial para alcançar um público interessado em seu lado Pop - além de mostrar fôlego para reinventar o próprio trabalho com o passar dos anos.

Interessada em ser internacional e brasileira ao mesmo tempo, a cantora acerta ao deixar suas influências e talentos falarem primeiro, colocando a música antes de qualquer outra coisa. Divertida mas não sem menos conteúdo por conta disso, sua batida e voz tem chances de chegar cada vez mais longe.

Artista: Flavia Coelho

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