Chromeo - Sónar SP 2012

Sónar SP, Parque Anhembi, São Paulo, SP

BBBBa
Chromeo - Sónar SP 2012
Mauricio Santana

O Chromeo fez um dos shows mais esperados pós-Kraftwerk da primeira noite do Sónar e não deixou o público na mão. A dupla canadense pode ser considerada uma mistura de décadas e influências tanto no som, quanto no estilo, a começar pelo palco montado com nada além do que setas em sentidos opostos, que ficavam brilhando de acordo com as músicas, duas pickups com uma base formada por pernas de mulher iluminadas (iguais as da capa do primeiro álbum deles).

A dupla pode ser considerada, além de DJs, uma pseudo banda de Rock. Digo isso pois o vocalista Dave 1, ao melhor estilo rocker com jaqueta de couro e óculos-de-sol, portava uma guitarra que seria usada ao longo do show e o outro integrante, P-Thugg, com uma tûnica militar e um chapéu à la Aladin, tinha alguns instrumentos de percussão (caixa e uns pratos), um teclado e um tubo que o auxiliava a afinar a voz, o famoso auto-tune, usado em sua grande maioria por rappers e cantores de música eletrônica. Uma tremenda mistura Pop Rock que colocou a grande massa dos presentes no Sónar naquela sexta-feira a dançar.

Fancy Footwork logo no começo, mostrava o porquê da banda ser considerada um revival dos anos 80, pois seu Synthpop bem pegajoso, com batidas quebradas que não lembravam nada as 808 da época, colocavam a mistura no caldeirão. O público, entregue ao show, pulava no concerto como um show de Rock ao mesmo tempo que dançava como se estivesse em um balada na noite paulistana. Tenderoni e Bonafield Lovin’ (música que me fez conhecer o Chromeo por estar presente na trilha sonora do FIFA 09), continuavam o ritmo da festa.

Alguém que estivesse passando pelo SónarClub naquele momento talvez não entendesse muito bem o que estava acontecendo: muitas misturas, muito Pop e muita (por que não?) breguice dos membros da banda. Ao julgar pela capa do livro, talvez aquele que se deparasse com a banda pela primeira vez torceria o nariz, mas ainda bem que a música é para ser ouvida e não vista, e em termos musicais o Chromeo sabe fazer um grande show.

Quando a dupla fez um cover, breve mas muito bom, de Money for Nothing do Dire Straits, dava pra perceber que as influências das bandas iam além da própria música eletrônica. Momma’s Boy e Don’t Turn The Lights On colocaram o publico pra cantar junto à dupla, que respondia dizendo que esta era a primeira vez que vinham ao Brasil de verdade (a dupla chegou a tocar em terras tupiniquins mas numa festa fechada para 200 pessoas).

Night By Night, música conhecida por mesmo aqueles que não conhecem a dupla, devido à sua batida já ter sido mixada e transformada em outras músicas diversas vezes, encerraria o set divertido da dupla no festival. Seu estilo peculiar pode te fazer não levá-la tão a sério musicalmente, entranto, o Chromeo sabe fazer o que deve ser feito em festivais, que é levar o público a pular e se entreter. Como membro de um line up como esse, a dupla sabe cumprir bem o seu papel sem deixar a lacuna de tempo em que está no palco despercebida e público disperso. Papel semelhante que o Kooks fez em outros dois festivais que já vi, o Chromeo é a banda/dupla a ser encaixada em qualquer tipo de festival.

Artista: Chromeo

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